segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Um Cavalo no Senado
A arte é a forma mais sublime para retratar a vida, seja em qual forma ela se revela. Trago aqui a coluna deste domingo de Júlio Antônio Lopes, advogado e colunista do Jornal A Crítica "Um cavalo no Senado"
Calígula, um imperador de péssima fama, certa vez nomeou o seu cavalo Incitatus para ocupar uma vaga no senado de Roma. E o fez tomar posse em cerimônia formal. A história é contada, dentre outros, por Suetônio, no livro "A vida dos dozes Cézares".
O episódio sempre foi debitado na conta reconhecida da loucura de Calígula, o qual, além de tudo, era um ditador assassino. Mas bem que poderia ser contabilizada numa antologia de humor. Negro, é bem verdade, mas humor.
O senado de Roma era péssimo. Havia corruptos, poltrões, devassos, aproveitadores de toda espécie, gente, enfim, sem qualquer noção ética e de decoro. Um senador tinha amante, a qual sustentava com dinheiro de construtores de aquedutos. Um outro fazia de seu mandato um balcão dos mais variados negócios. Um outro ainda empregava os filhos, demais parentes e amigos. A maioria respondia a algum processo-crime no fórum de Roma. E um grande número, vejam só, criticava Calígula pontualmente... para barganhar mais adiante, evidentemente... E nenhum deles queria saber do povo. Uma miinoria se salvava, mas diante do ímpeto de seus nobres pares, a resistência era irrevelante.
Tanto o governo, o Executivo de Roma, quanto o senado, o Legislativo, estavam distantes dos interesses dos cidadãos, os quais, ignorantes, miseráveis e analfabetos não conseguiam sequer esboçar qualquer reação.
Foi quando Calígula teve a idéia: "Se essa turma de sanguessugas e amorais pode ser senador, porque não o Incitatus?. Com isso, Calígula desmoralizou de vez o senado, pôs-lhe rédeas (literalmente) e ampalmou o poder absoluto.
Daí a lgum tempo Calígula foi morto. E Roma, que já tinha sido o maior império do mundo, iniciou a sua marcha inexorável para a decadência.
Nenhuma semelhança com o Brasil de hoje.