segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Enchente - Humanos demais para entender



As águas que passaram meses subindo muito e rápidas, agora começam a baixar, mais lentas que quando enchia. Uma realidade nova, já fazia algum tempo que não víamos encher tanto.

Foram várias as cidades do Estado que ficaram inundadas, umas mais que outras; algumas totalmente, como foi o caso de Anamã, para citar a mais próxima.

Na seca, lenta como está, o rastro que vai ficando é grande, o prejuízo aparecendo. As marcas nas paredes denunciam até onde elas chegaram. Milhares de pessoas forma expulsas de suas casas; foram se arrumando de qualquer jeito. Não bastaram os programas sociais do governo, não bastou o esforço de tanta gente para ajudar a diminuir o sofrimento. No caso do sofrimento nada basta e nunca é demais. Tudo se faz necessário.

Durante uma enchente, no período que alguém tem sua casa invadida, com certeza a vida também; a exigência da situação acaba gerando outra situação, onde muitas coisas podem acontecer que fogem a normalidade da vida anterior. Quem sabe, coisas que fazerão a vida mudar para sempre. Nunca mais ser a mesma.

Como viveram esse tempo, principalmente as crianças e os jovens, levarão marcas para sempre; algumas filhos, outras doenças, outros ainda conhecimentos e oportunidades; coisas que fecham ou abram portas para um futuro não tão longe.

Houve quem se aproveitasse da miséria alhéia, sempre há. Os espertos se chegaram para ganhar mais um ou outro voto para vender no tempo das eleições, uma vez que as eleições na terra do gás e do petróleo são feitas dos compradores e dos vendedores de votos.

Também durante esse período que muita gente ficou fora de sua estrutura de vida, podem sair mais dependente ainda, o círculo vicioso de dar e dar, sem criar situações onde as pessoas possam crê que é possível construir com suas mãos a própria esperança, esteve em alta.

Muitos irão ficar por aqui pela cidade, nas periferias, engrossando as filas nos órgãos públicos, mendigos dos novos tempos. Na periferia irão viver em péssimas qualidades. Analfabetos ou semi analfabetos serão presas fáceis de todos os tipos de aproveitadores; principalmente daqueles que irão lhe oferecer o céu como refúgio, engano do sofrimento/da miséria humano/a.

Vivendo na fome e na miséria, com o tempo vão acreditando que de fato são a miséria do mundo, perdendo toda a dignidade de serem pessoas. Não custará muito e vão pensar que tudo que ganhar será bom, fáceis de se venderem, nem tanto, engano da nossa parte, é a sobrevivência. O que não faz um pai de família pela necessidade?

Viverão das migalhas que cairão das fartas mesas.

Outros, irão retornar a zona rural, retomar a casa e o lugar. Também a zona rural anda arassada, foi entrando na jogada de que poderia se viver bem, com todos os atrativos da cidade com cem reais por mês. Trabalhar para quê? O homem bom nos dar para viver. Viver da miséria e na miséria.

Limpará a sua casa, as vezes o mínimo, arrumará seu terreno e esperar chegar o fim do mês ou outra data para vir na cidade, mais uma vez, buscar seus cem reais. É assim que estamos caminhando. Melhoria, nem pensar!!! para quê? Assim está ótimo!

Talvez tenha que ser outro sinal, esse ainda não foi significativo, não conseguimos entender. Somos humanos demais para entender!

Um comentário:

Anônimo disse...

Apesar de não concordar com seu radicalismo, quero pabenizá-lo pelo pelas suas postagens tem conteúdo.
Ao contrário de muitos blogs ai de Coari q se limitam unicamente em copiar as matérias de jornais aqui de Manaus.