terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Festa dos fogos - Assim na terra como nos céus
Hoje, antes das seis fomos acordados por uma saravaida de fogos, parecia que a cidade tinha sido invadida por inimigos que com o barulho da pólvora esperava fazer a todos seus reféns. Na velocidade do pensamento, pensei que os Deltas estavam em guerra com os Brasileirinhos, ou a turma da mala contra a Polícia Federal e ainda os puxas-saco contra a turma do 33.
Pra minha quietude, quando tudo ficou quieto, não eram nenhuma dessas opções. Mais o que será? A pergunta continuou a fazer parte de um barulho, zumbido dentro da cabeça. O certo que o barulho também não eram de rajadas de metralhadoras.
O barulho agora era dos pássaros que todos os dias, trazem a manhã e a colocam dentro de casa. Fiquei balançando na minha rede, ainda tinha 15 minutos antes de levantar e começar a rorina do dia -:) rezar, silenciar, café e as coisas da net (os e-mails, a leitura dos jornais, sites e blogs, recados no orkut e quem sabe algum post... a inspiração é quem manda... ).
Me embalando fiquei ruminando das infinidades de vezes que ouvi o barulho do estourar dos fogos nesta cidade. Com certeza, além de termos sido Província de Machiparo, Terra da Banana, terra do Gás e do Petróleo e terra dos Malas; antes de tudo isso, fomos e somos da terra dos fogos; aliás na época do Cacicado de Machiparo erámos terra do barulho e de lá para cá, praticamente se passaram 500 anos e ainda continuamos... terra do barulho, só passamos dos modos que produzimos barulho(s), dos tambores para os fogos e a barulheira dos escandâlos, estes não acabam e nem ficam pouco; concorrem em número e gênero com os fogos.
Foi depois com o barulho das bocas de ferro que fui saber o porque de todos os fogos, para tal motivo, achei pouco os fogos e claro, mais para frente do tempo, eles foram retornando, barulhando e dizendo porque iam se fazendo.
Numa manhã linda de sol e vento, ao sair de casa olhando para o alto um bando de urubu tingia o azul do céu, planavam em seus vôos tranquilos, com a certeza de que aquilo nada dizia a eles. Fiquei me lembrando que em tempos idos a família que morava no seringal localizado no centro da cidade, costuma "soltar" fogos para espantar esses animais sentados nos altos galhos das seringueiras.
Hoje vejo que com o passar do tempo e a prática de brincar com os fogos ser parte da vida dos coarienses, até os urubus se acostumaram com esse barulho; já não voam para longe como antigamente, muito pelo contrário, dependendo do motivo, se divertem planando nas correntes de ar que ocupam os espaços aereos da cidade. Talvez seja sua forma de dizer Parabéns.
Pois aqui é assim, nem que não queiramos temos que ver e ouvir o ar do puxasaquismo, sejam os da terra, como os do céu, ou aprendiam ou seriam expulsos deste império!

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