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sábado, 10 de setembro de 2011

Um Coariense na Academia Amazonense de Letras

O coariense Francisco Vasconcelos tomará posse no próximo no dia 30 de setembro da cadeira número 40 da Acadêmia Amazonense de Letras (AAL). O coariense mora em Brasília desde 1970, quando foi transferido para a direção geral do Branco do Brasil. O jornal Acritica estampa, versão impressa, uma linda matéria sobre o poeta, escrita pelo conterrâneo Antônio Paulo, correspondente do jornal em Brasília.

Tenho todos os livros do nosso escritor e escrevi alguns posts sobre ele. Do jeito que a terra do gás e do petróleo só tem ocupado espaço nos jornais da capital com notícias ruins; a matéria é um lavar a alma do povo coariense e respirar enchendo o pulmão de alegria e orgulho.

Atualmente a UEA tem um curso de letras em Coari, os livros do escritor da terra poderiam muito bem fazer parte do programa de leitura dos alunos do curso. Seu livro o "Regime das águas", já fez parte, anos atrás, da literatura para o vestibular da UFAM.



Devido a falta de interesse dos coarienses pela leitura e a distância do autor, Francisco Vasconcelos é muito pouco conhecido na terra do gás e do petróleo e essa é uma boa oportunidade para as secretarias de Cultura e Educação promoverem um evento cultural sobre literatura, tendo como temática as obras de Francisco Vasconcelos e aproveitar para fazer as homenagens que merece.

Hora de apresentá-lo aos filhos da terra, principalmente aos jovens, tão necessitados de pessoas que possam apresentar o encantado mundo da leitura!

Textos Selecionados

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Francisco Vasconcelos - novo livro

O escritor coariense Francisco Vasconcelos laçou um novo livro nessa sexta-feira em Manaus.

"O Menino e o Velho" ganhou sessão de autográfos no Café do Pina, no Palacete Provincial. O antigo prédio do comando geral da polícia, na praça que leva o mesmo nome.

sábado, 13 de setembro de 2008

Escriba
Quando toas as portas para o novo estão fechdas, só a arte é capaz de dizer o que tem que ser dito para mostrar a realidade. Sim, aqui somos "convidados" ao silêncio, a não dizer uma palavra diferente - caso contrário - se é do contra.
Ontem adquiri mais dois livro do escritor coariense Francisco Vasconcelos, ele que mostra as avessas nossa história, passando pelo homem de Coari pelo outro lado, não o do poder, mais o real, principalmente do pobre e o do poeta/escritor.
Francisco Vasconcelos, escritor prata da casa, pouco ou quase usado nas escolas da cidade, desconhecido pela maioria dos professores e alunos. O que acontece? Parece que só valorizamos o que é de fora!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Literatura coariense
Nessa viagem aproveitei para lê o livro do coariense Francisco Vasconcelos, "O Regime das Águas". O autor mostra através da vida do interior de como as águas determinam a vida do povo do interior da Amazônia; como já dizia Leandro Tocantis, "as águas comandam a vida".
O forte do livro é a forma que autor encontrou para marcar a realidade através dos personagens, seja nas suas falas, pensamentos, sonhos, sentimentos e idéias.
Tudo se passa numa localidade do Amazonas, poderia ser em qualquer parte dessa imensa pátria das águas. É uma grande enchente que muda o dia-a-dia de um povoado que vive da juta. Sendo ela uma plantação de várzea, a enchente invade os jutais deixando o povo sem condições de viver, visto não investir noutro tipo de cultura.
O autor faz uma crítica ao governo que abandona o interior, a zona rural mais ainda. Por outro lado são as pessoas que não conseguem perseguir objetivos de vida e economia que seja mais amplo que uma só cultura; seguindo sempre os projetos mirabolantes do governo.
Vale a leitura para compreender um pouco mais nosso mundo amazônico.

sábado, 1 de outubro de 2011

Um órfão da Terra


Estive ontem na "Sessão de Posse do Coariense Francisco Marques Vasconcelos na Cadeira 40 da Acadêmica Amazonense de Letras". Foram tantas as emoções, um momento lindo, inesquecível, difícil de descrever.

Antes da "Liturgia de Cerimônia", falei com Francisco, disse que era coariense, ele se emocionou muito; não tinha outro da raça por ali. Lamentamos a ausência de representantes do município. Nessas horas fazem falta boa assessoria, de gente da casa/representação em Manaus ou da Secretaria de Cultura do município. Ele estava órfão da terra!

Disse que me sentia orgulhoso por ele e com ele. Nesse momento histórico que a terra do gás e do petróleo vive, de desafios, riquezes e muita miséria, ele é uma luz capaz de riscar a chama no fogo da juventude para sonharem diferente e se não sonhe essa geração, sonhe a outra que há de vir, como nos canta Osvaldo Montenegro.

Na sua fala e da de Elson Faria ficou claro que o mundo precisa de poetas e profetas; quando Elson falou que no nascer da humanidade a poesia, toda ela, era oração, compreemdi que se calarem as vozes dos poetas, as pedras decantadas por eles, falarão.

Francisco, que seu caminho de ser de letras, nos ajude a abrir caminhos para uma Coari que pede o novo, onde a fartura de suas veias feitas e fartas do ouro negro se espalhe na mesa de todos, principalmente dos que vivem na miséria!

terça-feira, 13 de março de 2012

O Regime das águas


Cai sobre Coari um dilúvio em forma de novelas, quase todos os dias uma chuvada, um capítulo. Toda essa chuvada no Vale Amazônico está sendo um indicativo de enchente grande. Os relatórios dos especialistas ainda deixam dúvidas se as águas alcançarão ou não os níveis das grandes cheias. Já os amazonidas, na convivência com a floresta, aprendem observando as águas; as andanças dos peixes, a altura onde os pássaros fazem seus ninhos nas árvores e afirmam com quase absoluta certeza que as águas subirão muito esse ano.

Uma enchente grande, causa imensos estragos na vida do povo. Os desafios gerados por ela são diversos. É dentro dessa lógica que o livro “O rio comanda a vida” tem sentido, pois, a força das águas desestrutura as organizações básicas, tanto das famílias, como das comunidades rurais e muito mais das cidades amazônicas; quase todas localizadas na beira d’água. A obra prima do escritor coariense Francisco Vasconcelos, “O regime das águas”, retrata a vida de uma família e de suas relações numa enchente; uma boa leitura para quem quer conhecer pela literatura a vida do povo amazônico.

O povo é expulso pela invasão líquida, que invade casas e plantações. As pessoas munidas de esperanças resistem e deixar o tapiri é a última ideia; só quando as águas estiverem quase cobrindo o telhado da casa. Enquanto se puder levantar o ‘assoalho’, ele vai subindo, subindo, no mesmo nível que as esperanças vão baixando, se apagando.

Em cada enchente grande, nossa área rural se esvazia e as periferias das cidades vão se enchendo. As casas são feitas em qualquer lugar, sem estruturas de saneamentos básicos, esgotos, água encanada e energia elétrica. É viver de qualquer jeito. É recomeçar praticamente com um único patrimônio, a esperança.

A enchente de 2009 foi a última grande enchente que tivemos na Amazônia, uma das maiores nesses últimos cem anos e deixou enormes prejuízos nos estados do norte. Muitas cidades foram inundadas totalmente. A terra do gás e do petróleo também soube o poder das forças das águas, com diversas ruas alagadas e com grande quantidade de pessoas da zona rural migrando em busca de um pedaço de terra, uma moradia enxuta. Foi um tempo de muita ‘pedição’; parecíamos uma cidade de mendigos.

São muitas as cidades da Amazônia que já estão sofrendo com a enchente atual. O governo começa a liberar “ajudas” para tentar amenizar o sofrimento do povo. É uma ajuda muito bem vinda. Sendo esse um ano eleitoral, os riscos de aparecerem aproveitadores da situação para faturarem votos, serão grandes. Os compradores de votos de plantão, podem encontrar no sofrimento do povo, uma oportunidade de coprar um mandato. Como já dizia um filósofo: “há os que vivem da desgraça dos outros”.


Agora, é esperar na esperança que a enchente não seja grande; só assim não iremos misturar águas com votos ou as esperanças irem por águas abaixo!



quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Regime das águas


Escolhi o quadro "Retirantes" de Portinari para ilustrar esse post, porque ele por si só expõe a realidade gritante, nua e crua, de quem se retira forçado de uma situação e se lança para o mundo em busca de algo para viver, como pular num vazio escuro e não saber o que tem lá ou o que vai encontrar!

O Regime imposto pelas águas na atual enchente, é tratado com maestria na pena do nosso escrito Francisco Vasconcelos no seu livro "O Regime das Águas". O autor trança no romance o drama de uma família do interior do estado do Amazonas que tem quase tudo perdido, até a vida de um dos filhos, para o mundo líquido.

As famílias "retirantes" de seus mundo que estão em Coari, na casa de amigos, parentes ou nos espaços arrumados pelo município, sofrem esta imposição, mais uma, como se já não bastassem o sistema que vivem, dominante e opressor, ditador...

E a vida desarrumada é só uma parte de um mundo que está em desarrumação pela água.

Atualmente toda a várzea do estado está debaixo d'água e sua força foi a tudo arrastando; principalmente o roçado e o bananal. Isto significa que nos próximos meses, as duas mariores fontes de renda do interiorano estará vazia. Levada pela água.

O regime das águas vai definir um tempo de penúria, um tempo mais difícil. Claro está que na dificuldade pode-se encontrar novos caminhos. Ajudar a perceber outras formas de economia, se não entrarem e forem abarcados nos projetos do governo só de dar e dar.

Os peixes e a farinha irão estar escasso, se o custo de vida na terra do gás e do petróleo já é caro. Mais para frente será mais ainda. E como sempre, quem mais sofre com essas crises, são os pobres!