quinta-feira, 29 de maio de 2008


Registros de pagamentos realizados pela Prefeitura de Coari, por meio de cheques, no período de setembro de 2006 a fevereiro de 2008, aos quais A CRÍTICA teve acesso, revelam que: cinco, das 75 empresas investigadas pela Polícia Federal na Operação Vorax, movimentaram R$ 32,8 milhões; secretários municipais ganharam, por fora da folha de pagamento, R$ 1,2 milhão; parentes do prefeito Adail Pinheiro tiveram cheques emitidos em seus nomes; outros familiares do prefeito celebraram negócios de milhares de reais com a administração municipal.
Das empreiteiras envolvidas no esquema de fraudes em licitações em Coari, desarticulado pela Polícia Federal, no dia 21 deste mês, que prendeu 23 pessoas e encontrou R$ 6,8 milhões no forro de uma casa em Coari, a Iza Construções, segundo o relatório obtido por A CRÍTICA, ganhou 33 cheques, no total de R$ 9,256 milhões, em 14 meses.
Apenas nos meses de janeiro a março de 1997, a construtora Iza movimentou cheques de R$ 4,3 milhões. O de número 44, da conta 13033-8 da prefeitura, na agência 3739 do Bradesco, foi o de maior valor, R$ 1,923 milhão. O documento tem data de 21 de março. Um mês depois, a empreiteira recebeu outro cheque milionário de R$ 1,3 milhão.
Outra empresa citada na Operação Vorax, a Tercom Terraplenagem Ltda, aparece como beneficiária de R$ 5,7 milhão. São pagamentos que variam de R$ 10 mil a R$ 223 mil. Do total de 44 cheques emitidos em nome da empresa, 23 foram emitidos em 2007.
Na lista de pagamentos da Prefeitura de Coari constam 58 cheques no valor de R$ 8,591 milhões para a Growth Engenharia Ltda. A empresa também recebeu a visita de agentes federais na manhã de terça-feira. O menor pagamento tem valor de R$ 10.080,00, referente ao cheque 9661, da agência 3710, do Bradesco. A maior soma, R$ 474,8 mil, foi paga por meio do cheque de número 8, da agência 3739, do Bradesco, em 29 de dezembro de 2006.
A Construtora Zacarias, outra listada pela Operação Vorax, aparece como beneficiária de cheques de R$ 5,6 milhões, de setembro de 2006 a fevereiro de 2008. Em nome da empresa foram registrados 45 cheques da Prefeitura de Coari. O de quantia mais elevada, R$ 513 mil, foi pago pela agência do Banco do Brasil, por meio do cheque nº 7555, com data de 24 de janeiro de 2007.
Em nome da firma 3 S Distribuidora Comercial Ltda existem pagamentos no valor de R$ 3,5 milhão. Esse total refere-se a 11 cheques. Com valores que vão de R$ 50 mil a 728,5 mil. Três remotam a 2006, seis a 2007, e dois a fevereiro de 2008. A proprietária da empresa é Sônia da Silva Santos, presa pela Vorax, que já está em liberdade.
O relatório contendo a movimentação de cheques da Prefeitura de Coari, um calhamaço com 192 páginas, traz as contas da prefeitura, os números das agências bancárias (do Banco do Brasil e do Bradesco), as datas de emissões dos cheques, os valores e os beneficiários.
A Polícia Federal já tem esse documento. Segundo a assessoria do órgão, o material está sob análise de peritos. Hoje, o delegado Jocenildo Cavalcante, responsável pela investigação das fraudes em Coari, decide se pede a transformação da prisão temporária dos presos pela Vorax em prisão preventiva, cujo tempo é indeterminado.

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