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sábado, 31 de março de 2012

Na contramão ou na mão errada
 

Cada vez mais há nos administradores das cidades do mundo, a preocupação de construir os espaços urbanos de tal forma que constribuam para uma melhor qualidade de vida. Praças, ruas, escolas, ginásios, parques, orlas e outras estruturas são construídos pensando em funcionalidade, beleza e serviço a comunidade.

As cidades brasileiras sofrem pelas suas estruturas sem esgostos, sem água e energia de boa qualidade, sem espaços públicos de lazer para todas as idades, ausência do verde, e pela situação financeira estitída pelas elites plíticas e econômicas, vamos fazendo casas de qualquer jeito e em todos os lugares, seguimos pela nossa pobreza desruíndo; não que queiramos, somos levados pelo dono dos capitais e dos votos a fazermos isso!

Do outro lado me impressiona os comerciais das casas dos condomínios de luxo, parece que querem vender o paraíso, um pedaço do céu, quem comprar, quem tem dinheiro para adquirir um patrimônio desse, mora no mundo das nuvens com a Virgem Maria, o Menino Jesus e São José, fora da realidade da maioria dos brasileiros.



Em Coari os administradores trabalham para destruir a qualidade de vida que tínhamos, o exemplo disso são os ginásios Natanael Brasil e São José. Não que sou contra construir ginásio, pelo contrário, sou consciente que esporte é qualidade de vida. Porém, no nosso caso, conseguiram fazer o que estava bom, ficar ruim.

No Ginásio Natael perdemos espaços de vida muito importantes, onde as crianças e adolescentes da Escola Presidente Kennedy se divertiam nos tempos livres e a comunidade em geral aproveitava para diversas atividades, e o pior de tudo, a escola ficou com um paredão na sua frente, que tanto quem está dentro do prédio, como quem está do lado de fora ficaram sem a "vista" do ambiente externo dela.

A Escola Estadual Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, nosso querido "Colégio" perdeu a visão para o encontro das águas do lago de Coari com o rio Solimões e toda bela paisagem, fundamentais para o aprendizado e que encantava os olhos e a alma!


O que ainda vamos perder?


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Capital do Cará


Atualmente me encontro na cidade de Caapiranga, pequeno município típico do Estado do Amazonas, na beira d´água e encravado no meio da floresta; um contrastes de cores verdes das matas e escuras de suas águas. Possuindo uma área total de 9.457 km². Com uma população de 9.736 habitantes (censo 2010) e marcada pelos desafios do tempo. Sua população é acolhedora, como todo povo amazônida e segue fazendo sua história contra toda desesperança.

Um município novo e que ainda busca encontrar os seus caminhos para sua gente que teve sua vila transformada em cidade, porém, sem muita preocupação de geração de renda, emprego e boa qualidade de vida; onde as pessoas podem sonhar e viver o seu sonho de ser feliz em sua terra; principalmente os jovens que mais que os de outras idades são obrigados a darem respostas a si e aos outros que chegam em suas vidas, esposos e filhos. E nesses últimos anos tem sofrido mais ainda com a vinda de pessoas de vários lugares, principalmente da zona rural e que vão ficando nos seus arredores.

Apesar de está no centro de uma das regiões mais ricas do planeta, cobiçada pelos donos dos capitais de investimentos, ainda navega, como os outros municípios do estado do Amazonas em águas do esquecimento. Chegando ao seu porto e andando pelas ruas é esse o sentimento que a cidade desperta em qualquer um que tenha o mínimo de sensibilidade. Sensibilidade que as vezes, pelo tempo é adormecida quem habita os espaços da cidade por toda a vida.


Nesses últimas anos o crescimento da plantação do Cará e sua exportação para Manaus e outros municípios vizinhos, conseguiu melhorar a economia do município; que tinha quase que exclusivamente como única fonte de renda os empregos e investimentos públicos. Também a construção de uma parte do gasoduto Coari Manaus, que está dentro de suas terras, alavancou a economia no período de suas obras; deixando alguns desafios sociais pelo meio do caminho. 

A grande plantação de carás, tanto roxo, como branco, tem sido sua marca registrada e o município é conhecido hoje como a terra dos carás. Dentro desse mundo cultural nasceu "A Festa Cultural dos Carás", onde duas agremiações folclóricas, defendendo o tipo e as cores dos carás encantam um público cada vez mais crescente no caradródomo.

O "Festival dos Carás" está tentando encontrar os seus caminhos para fazer um bom festival, encantar com suas danças, temas e cores, e ao mesmo tempo atrair turistas, dar uma encrementada na economia e também superar os desafios que um evento desse porte deixa num município pequeno; principalmente o aumento do consumo de drogas e aprostituição.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Nômades


Em dezembro, logo após as férias e no mês de janeiro não foram só os velhos e novos ricos que viajaram. Os pobres de qualquer jeitos lotaram os nossos barcos/recreios que nesse período andam rio acima e rio abaixo com o número de passageiros acima de suas lotações.

Há décadas que usamos esses barcos como meios de transportes na Amazônia. Para a grande maioria das cidades do estado do Amazonas esse é o único meio de chegar e de sair delas. Nossos rios são nossas estradas e "tudo" que necessitamos para a vida na Amazônia passa por eles.

Esse janeiro fiquei impressionado com a quantidade de pessoas viajando em nossos barcos. Uma multidão imensa, lotando embarcações e colocando a própria vida em risco. Nunca vi tamanha multidão em viagem. Parecia um povo migrando após uma guerra!

Nesse mês de janeiro também fui um viajante e viajando com o povo e como o povo, de qualquer jeito. Encontrei nesses dias entre as cidades de Codajás, Manaus, Manacapuru, Beruri e Anamã que viajei, centenas de pessoas que deixaram suas casa para ir ao encontro de pessoas queridas, amadas e de outras realidades.

Não foi fácil, o desconforto das superlotações, o calor, a comida e os banheiros fétidos, de fazer doer os olhos, causam grande cansaço. Segui sempre me perguntando sobre os péssimos serviços desses barcos. O povo aguenta, não há outro jeito e para alguns locais é isso e é isso mesmo.

Com certeza hoje o povo viaja mais e isso é bom. Nessas viagens, se depara com o novo, lugares e pessoas e numa troca de experiência se enriquece. Quando volta já não é o mesmo. Para o bem ou para o mal, as mudanças estão acontecendo.

Quem sabe um dia nossa secretaria de cultura possa perceber, o quanto pode ser enriquecedor para nosso povo programas culturais que possam passar pelo nosso mundo das águas. Mais enquanto nosso secretário de cultura só entender de eventos, o líquido será sempre um outro!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Buraco's


Numa noite de lua cheia, no alto de um terreno no Tauá-mirim, tendo os reflexos do astro noturno nas águas escuras do "lago" que estava ao fundo, como testemunha; o Cacique Machiparo, chefe da Procíncia que levava seu nome, reuniu todos os caciques e anciãos das tribos que formavam todo seu poderio na calha central do Solimões, das fronteiras de Ega (Tefé) as terras dos guerreiros Muras (Manacapuru).

Olhando para os reflexos da luz da lua nas escuras águas do lago, explicou aos chefes seus comandados que o objetivo daquele fraterno encontro nas terras da tribo Tauá-mirim, era para escolher o novo nome para a Provícia deles.

Explicava que depois de mais de duzentos anos de exploração, roubo, estrupos e todo tipo de crimes praticados pelos estrangeiros, iriam passar por um novo momento da história; até porque ele já não duraria tanto. O tempo é o tempo para todos e sentia que o seu estava chegando ao fim.

Depois de invocarem os deuses do sol, da lua, da terra, das águas e da floresta, a conclusão que chegaram foi que o novo nome seria: Coari. O nome fazia homenagem ao "Buraco" da entrada do grande e belo lago, local e palco de grandes lutas, todas vencidas pelas mãos e armas abençoadas de seus guerreiros e do sangue derramado dos filhos e filhas que deram a vida pela grande Provícia. Significava também "Rio do Ouro" pela abundância do mundo de suas águas, cheias de tantas riquezas.

Mal sabia o Grande Cacique Machiparo que seus descentes e ocupantes de seu trono, cara pálidas do passado recente e do presente, iriam misturar os significados e colocar todas as riquezas de sua querida terra dentro de buracos. Uns ainda usando malas.

Atualmente o dinheiro das riquezas - petróleo e gás - ninguém sabe para onde vai, em que buraco colocam. O resto de sua amada terra é um buraco só. Deve está chorando no túmulo. Nomes tão importantes levados ao ridículos por administradores corruptos e incompetentes.

Como já não bastasse, a foto mostra trabalhadores do prefeito capitão Montoril, usando métodos e materiais para tapar buracos que usaram os trabalhores de Pedro Álvares Cabral quando chegou ao Brasil.

Ninguém merece. Pobre Machiparo!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Líquido da vida

SEM ÁGUA não existe vida, saúde ou desenvolvimento sustentável. Se a água for mal tratada e mal gerida, pode ser morte, doença e desigualdade social. E, a cada ano que passa, torna-se maior o complexo desafio para o homem tratar da questão da água em um cenário de industrialização, de urbanização e de mudanças climáticas. Marina Silva.


Vivemos na maior bacia hidográfica do mundo, porém nem sempre estamos cuidando desse líquido tão precioso como deveríamos. É triste sentir como estamos matando nossas fontes de água.

A construção do Gasoduto Urucu - Coari - Manaus, sufocou centenas de olhos d'água, eles irão fazer falta no decorrer da história de destruição da nossa região, o tempo vai dizer.

Em nome do dinheiro e do assim dito "progresso" os Igarapés da cidade do gás e do petróleo perderam muito em volume de água própria em suas belezas. Se não houver uma mudança de como os tratamos, não durará muito para o Buquará ir no mesmo caminho que os outros.

Enquanto isso, em Manaus, novos ajuricabas lutam pela vida do "encontro das águas", uma das belezas naturais do mundo. Leia mais.

Será que vamos acordar para nosso mundo das águas, só quando ela começar a escassear?

domingo, 13 de dezembro de 2009

4.2


Lá se vão 42 anos da minha vida. O 14 de dezembro vem me lembrar de todos esses anos passados. Quatro décadas. Filho da geração 68, nascido em dezembro de 67; portanto vivi nesses últimos quarenta anos de maior mudança vivida na história da humanidade.

Agradeço as dezenas de recados me parabenizando no Orkut!

Gostaria de partilhar um pouco com vocês da vida e do bolo. Nessa estrada sempre tenho sentido que a vida tem gosto de Deus e de gente. O espaço é curto para tudo, deixo aqui alguma coisas que foram de uma forma ou outra mais marcante. Não é fácil falar da gente; as lacunas ficam e a vida não é só isso.

Agradeço as milhares de pessoas que me ajudaram a ser o que sou; as mais próximas, os meus pais, cabeças duras que tanto amo e que me conduziram por seus exemplos ao mundo da persistência e da leitura. Infelizmente meu pai já se foi e minha mãe continua dura na queda, no alto dos seus 79 anos.

Sou grato também a toda minha família e de meus amigos a quem muito devo e os carrego comigo, sou muito parte de vocês também e vocês parte de mim. Das pessoas que nunca conheci e que deixaram suas marcas através do que escreveram, se fosse aqui colocar seriam muitos.

Os primeiros anos vividos em Coari foram maravilhosos, a infância de banhos no Santo Igarapé do Espírito Santo, águas limpas, pretinha, pescaria nos seus poços quando estava seco. As aventuras no grande e encantador lago da cidade. Foram inúmeras as vezes que saíamos da serraria numa boia de câmara de caçamba do senhor Manoelzinho e íamos lago adiante, sem nenhum medo, bravura infantil que enfrenta os dragões do lago.

Alguns anos marcaram mais que outros e foram responsaváveis pelas maiores e melhores mudanças, foram também os anos de mais riscos, desafios, erros e tomadas de decisões. Destacando alguns deles:

1985 - ano que estudei em Manaus, fui para lá fazer o segundo ano do segundo grau - estava cursando o técnico em contabilidade. Comecei aqui a ver que outro mundo, muito diferente do que eu vivia em Coari existia e o que me levou a esse novo mundo foi minha tímida participação do movimento estudantil da escola onde estudava.

Pela TV assistia o povo nas ruas comemorando o nascimento de um novo país, era o fim da ditadura militar; as passeatas com faixas e gritos de diretas já. A eleição e morte de Tancredo Neves e a ditadura voltando disfarçada pelas mãos de Sarney. Em Manaus, Gilberto Mestrinho mandando encher de porradas os professores manifestantes; são radicais, rebeldes e revolucionários essa gente, dizia a elite econômica da capital.

A importância de estar com uma pessoa também foi importante, sentir a história que pode ser feita junto com alguém. O sabor que tem um ser na vida do outro, as vezes nem sempre saboroso chegou na minha estrada. E como era linda e me conduziu aos encontros do movimento estudantil.

1987 - um outro mundo, dentro de um ano. Meu primeiro ano de seminário, o início da filosofia e o encatamento com Sócrates, Platão, Aristóteles e Enrique Dussel. O encontro de novos amigos. Havia um clima todo especial de era possível mudar o mundo. Conhecimento dos movimentos sociais, participação de grupo de estudos, nas greves do Distrito Industrial e de uma das grandes paixões o PT, isto mesmo com letra maiúscula.

Esse foi o ano que mais me envolvi em política partidária; junto com um grupo de jovens e alguns adultos entrei de cabeça na construção do PT de Manacapuru, ano de muito aprendizado e que me levou a muitas decepções anos mais tarde.

Janeiro e Fevereiro de 1991 - tempo que fiquei com os índios Apurinãs e com eles vivi esses dias maravilhosos em sua reserva. Estava no meu estágio rural.

1995 - Minha chegada em Codajás e o experimentar de ser padre novo numa cidade pequena do interior do Amazonas. Comendo bodó e tomando açaí descobri um povo pobre, humilde, carinhoso e acolhedor. Valeram muito o calor e as ferradas das mutucas e carapanãs pelo vasto interior do município.

Na ousadia da juventude começei a experimentar o amor e o ódio pelo ser do padre. Mais amor que ódio!

Nos meus vinte e cinco anos fui sentindo de qual cristal é feito o sacerdócio, do mais belo e do mais frágil e de como o povo é paciente com nossas fragilidades.

1996 a 1998 - meu encontro com São Francisco de Assis - Cinco de junho desembarquei no aeroporto internacional Fiumicino - Roma. Começa um novo tempo da minha vida. Fui pela primeira vez para a Itália para estudar. Do aeroporto fui para Perúgia e de lá para Assis. Aos pés de Francisco curti o fim da primavera e o começo do verão ao som de Maria Betânia, Jessé e Adrea Bocceli e Eros Ramazzotti, regado com vinho, pão e pombos; curtindo uma saudade enorme do Brasil e de tudo que ficou do outro lado do oceano.

Foram dois anos de Roma, Itália, Alemanha e Inglaterra; inesquecíveis.

09.1998 a 09.2003 - Cinco anos de Manaus e minha vida de trabalho num instituto de educação superior da Igreja Católica. Anos de muito stress, trabalho como louco e de muitas viagens no trecho São Paulo, Belo Horizonte, Rio e São Paulo.

Foram anos de contatos com muita gente do Amazonas de norte a sul, de viagens pelo interior do Estado, pessoas que passaram e deixaram suas marcas e me ajudaram a conhecer melhor o nosso planeta verde.

Em setembro de 2003 volto a Roma para mais dois anos - 09.2003 a 09.2005 - Dessa vez foi o conhecer a cidade eterna com mais calma e mais velho, foi outro olhar. O tempo, apesar de ser os mesmos dois anos, tudo correu mais rápido.

O encontro com o velho e belo mundo me fascinou mais ainda. E tive a oportunidade de viver um momento particular da história da Igreja e da humanidade. Estive de perto em Roma no triste acontecimento da morte do nosso querido papa João Paulo II, experimentei todo o velório de um papa e o que isso significa.

Em seguida veio a emocionante escolha de um novo papa. A praça São Pedro lotada e a fumaça branca saindo pela chaminé - Abiammo Papa - We have pope, anunciava o camelengo no som da Praça e a multidão alegre cantava as boas vinda ao papa Bento XVI.

De 20.10. 2005 até agora estou em Coari, quem tem acompanhado o blog experimetou comigo toda a alegria e os desafios desses últimos quatro anos da minha vida. Obrigado por vocês terem vindo aqui e terem feito comigo esse caminho na terra do gás e do petróleo!

sábado, 13 de dezembro de 2008

4.1.
Lá se vão 41 janeiros passando pela minha vida ou eu passando por eles. Durante esse tempo muita água rolou pela ponte do tempo, águas de diversos rios e mares.
Tenho muito a agradecer pelo que sou. Como pessoa que acredita, agradecer primeiro a Deus, por me permitir viver até aqui; depois pelos meus pais; queria ter a qualidade que mais admiro em cada um - a bondade de minha mãe e o firme caráter do meu pai. Apesar de ter nascido deles não sou um pedaço dessa parte que me faz deles admiridador. A eles meu muito obrigado.
Agradeço a Igreja Católica que me favoreu oportunidade que sem ela jamais teria tido a oportunidade que tive de viajar e estudar em países bem diferentes do nosso, de conhecer pessoas maravilhosas, como a dona Maria que mora no bairro da união, deficiente visial e que sabe muito bem ver o essencial das pessoas. Pessoa simples e que me ensina com a vida que a fé é se por a caminho com Cristo, entre acertos e erros, com nossas qualidades e nossos defeitos.
Obrigado a todos e todas, aqueles e aquelas que me ensainram que o mais importante na vida é aquilo que levamos para o encontro com Deus - nossa história - o quanto somos capazes de superar os limites humanos do nosso egoísmo, do ter que atrapalha o ser.
Quero também agradecer aos que me ajudam a ver meus defeitos, sem eles não conseguiria perceber o que devo fazer de novo, isto é, não haveria mudanças, o diferente; pois ele cresce nas inquietações do ser humano.
Agradecer aos que por aqui passam e compatilham na alegria da partilha de que com vocês, somando força, a vida pode ser diferente.
Que Deus seja louvado, hoje e sempre - Amém!